Sobre Dmítri Cerboncini Fernandes

Um ser milenar. Velho, mas muito velho mesmo. Quase gagá. Ultrapassado, pois moderno demais para essa época. Moderno demais pra sucumbir à pós-modernidade.

CSO 112 – Provas Substitutivas

PROVAS SUBSTITUTIVAS – SOMENTE AOS QUE NECESSITAM/PODEM REALIZAR PROVAS SUBSTITUTIVAS. LEIAM ATENTAMENTE AS INSTRUÇÕES!

Conforme explicitado em sala de aula e definido no RAG, poderão realizar as provas substitutivas relativas às unidades perdidas (somente unidades 1 ou 2, dado que a 3 é a relativa ao trabalho para ser feito em casa, que vocês podem entregar até a próxima quarta-feira, 05/12) aqueles que tiverem comprovante médico ou comprovante de óbito de parentes próximos (pais, mães, irmãos), ou de nascimento de filhos, comprovantes estes que deverão ser escaneados e enviados a meu e-mail até, no máximo, o dia 05/12/2018. Os que já me enviaram, não necessitam enviar novamente. Os demais, que perderam uma avaliação e não têm comprovante, realizarão o trabalho geral, que abarcará as três unidades do curso e servirá para substituir apenas a nota relativa à prova perdida, sem comprovação, da unidade correspondente. Quem entregar o trabalho que não corresponda à sua respectiva situação terá a nota desconsiderada.

O trabalho deverá ser entregue unicamente via e-mail para o endereço trabalhos.dmitri@gmail.com até às 23:59 do dia 07/12, sexta-feira, hora de Brasília, com o título do e-mail constando PROVA SUBSTITUTA CSO112. Deverá conter, no máximo, 12 páginas, seguindo as normas da ABNT, o uso de processador Word ou similar, letra Times New Roman, número 12, espaçamento de 1,5, bibliografia e demais referências bibliográficas. Texto com alinhamento justificado. Não deverá haver impressão no verso de folha. A marcação de parágrafos é importante. Plágios serão levados ao conhecimento da coordenação de curso, que tomará as providências legais.

I – TRABALHO GERAL (TODAS AS QUESTÕES DEVERÃO SER RESPONDIDAS)

1 – Para Anthony Giddens, a sociologia é uma ciência eminentemente voltada à compreensão da modernidade. Com base no texto “Ciência como vocação”, de Max Weber, é possível concordar com a asserção de Giddens? Justifique sua resposta. (40%)

2 – Em “A História dos homens”, como Karl Marx e Friedrich Engels desenvolvem a crítica à ideologia? Justifique sua resposta. (30%)

3 – Émile Durkheim considera os símbolos importantes representantes sociais em “As formas elementares da vida religiosa”? Por que? Justifique sua resposta. (30%)

 

II – TRABALHO SOBRE A UNIDADE 1 (TODAS AS QUESTÕES DEVERÃO SER RESPONDIDAS)

1 – Quais os procedimentos delineados por Émile Durkheim em “As regras do método sociológico” para se afastar o senso comum, e como eles se vinculam com o tratamento do fato social como “coisa”? (50%)

2 – Poderíamos dizer que haja uma contradição entre o fato de a individualidade surigir e se desenvolver, ao mesmo tempo em que a é a própria sociedade quem enseja esse movimento? Responda com base em “A Divisão do Trabalho Social” (50%)

 

III – TRABALHO SOBRE A UNIDADE 2 (TODAS AS QUESTÕES DEVERÃO SER RESPONDIDAS)

1 – Seria correto afirmar que para Karl Marx e Friedrich Engels o capitalismo é tão-somente um sistema predatório e deletério, que nada de positivo trouxe à humanidade? Justifique sua resposta (50%).

2 – Desenvolva e explique o percurso da mercadoria até a forma “dinheiro” conforme traçado por Karl Marx em “O Capital”. (50%)

Trabalho Final – Introdução à Sociologia

Prezados e prezadas, saudações.

Seguem abaixo as duas questões que deverão ser respondidas por vocês com base nos textos dados em sala de aula. Cada uma delas vale 50% da nota do trabalho. O trabalho vale 40% da média final. O trabalho é individual e deverá ser entregue impreterivelmente até às 23:59 do dia 5 de dezembro de 2018. O trabalho deve ser somente enviado por e-mail para o endereço trabalhos.dmitri@gmail.com. Não há necessidade de impressão. O trabalho não deverá totalizar mais do que oito páginas em Word, letra times new roman 12, espaço duplo, com referências bibliográficas.

Lembrem-se: plágios de trabalhos de internet, livros ou artigos, quando identificados, tirarão nota zero e seus autores poderão vir a sofrer sanções legais.

Atenciosamente, Dmitri.

Questões:

1) “Em geral, para a sociologia, conceitos como Estado, associação, feudalismo e outros semelhantes designam certas categorias da interação humana. Daí ser tarefa da sociologia reduzir esses conceitos à ação compreensível, isto é, sem exceção, aos atos dos indivíduos participantes” (Max Weber – Economia e Sociedade). Como esta afirmação de Max Weber se relaciona com seu propugnado individualismo metodológico em sociologia? Qual o papel do tipo ideal na resolução desse problema?

 

2) Segundo Max Weber, seria correto afirmar que o aumento do grau de racionalidade do mundo e o decorrente desenvolvimento da ciência nos conduziria a um estágio qualitativamente superior de vida social, com maiores liberdade e felicidade? Por quê?

Bom trabalho.

Lasciate Ogni Speranza Voi Ch’Entrate

O Brasil é a periferia não só no capitalismo, mas também no circuito da ciência mundial. Estar situado em uma universidade do interior significa que se está na periferia da periferia, com muito mais dificuldades do que os periféricos do centro da periferia. Não há jornais ou outros meios de grande circulação e divulgação por aqui, ninguém se interessa pelo que fazemos ou deixamos de fazer e vivemos em um grande clima de “escolão de bairro“. Quem quer que deseje realizar algum trabalho cientificamente relevante nessas condições esteja preparado para um quase martírio. Desde a sabotagem explícita até as faltas de traquejo acadêmico e de uma cultura propriamente científica, seja da parte de colegas, técnicos administrativos ou alunos, passando pela inglória tarefa universal de se conseguir em meio à politicagem (de departamentos, institutos, programas de pós, FAPs da vida, CAPES e CNPq) uma bolsinha produtividade ou um caraminguá para financiar uma pesquisa, o que se vê é um sistema armado para que as coisas permaneçam como estão. Não há incentivo estatal algum para que as universidades e seus respectivos PPGs espalhados pelo interior se tornem de excelência, como na Alemanha ou nos Estados Unidos, por exemplo. Os programas que existem, como o DINTER e MINTER, além de escassos, temporários e aleatórios são para inglês ver, e não têm em seus propósitos fixar pesquisadores ou laboratórios de ponta nas universidades interioranas. Tudo o que se consegue por aqui é graças ao desempenho heroico e geralmente trágico de um ou outro indivíduo, de um ou outro pesquisador isolado, de um ou outro reitor, diretor, coordenador ou quem quer que seja disposto a enfrentar os problemas da periferia da periferia – e com isso, certamente, se inviabilizar politicamente para as próximas eleições e academicamente durante o período em que ocupar algum cargo. Nossa história, aliás, sempre foi a de concentrar todo o poder e seus derivados em pouquíssimas cidades litorâneas ou beirando o litoral. Por conta dessa estrutura capenga, raramente alguém do interior fura a bolha; quando e se a pessoa consegue furar, muito tempo ela não mais durará na universidade do interior, a não ser por motivos estritamente pessoais, pois será fatalmente tragada para uma universidade do centro, sonho inconfesso da maioria. Resta ou a adaptação à vida do interior monteiro-lobatiana, quando vai se perdendo lentamente o viço e ,de repente, deixa se envolver pela acomodação e o bicho-de-pé, ou a atitude de um Policarpo Quaresma, lutando sôfrega e incessantemente contra as saúvas devastadoras até topar com um Marechal qualquer…

Democratas e aristocratas da língua portuguesa

DEMOCRATAS E ARISTOCRATAS DA LÍNGUA PORTUGUESA

Ontem, depois de ter corrigido diversas provas e ter encontrado equívocos gramaticais recorrentes em todas elas, resolvi postar no Facebook uma provocação com um dos equívocos que mais se repetem, o “atravez”.
Eis que percebo, então, que a questão política em torno do uso da língua tornou-se algo central entre colegas e alunos. Alguns vieram questionar meu suposto “elitismo”, via inbox, o que me incitou a esclarecer minha posição em relação a esse ponto.
Na atualidade, vejo uma disputa gramatical entre duas correntes: as que posso denominar de forma jocosa de “democratas” e “aristocratas”.
Os “democratas” se embasam geralmente no uso pragmático da língua. Ou seja, se a língua cumpre seu papel de comunicar a mensagem, está bem, não importando muito se há equívocos gramaticais. A língua, sendo um organismo vivo e mutante ao longo do tempo, deveria comportar os distintos usos feitos pela população, pois em sua forma “morta” e codificada ela só existiria na cabeça dos gramáticos. E a história mostraria que ela de fato se modifica, sendo, desta forma, arbitrário congelá-la em sua estrutura atual e dizer o que se pode ou não.
Já os “aristocratas” defendem, antes de tudo, a adequação às regras estabelecidas em livros de gramática ou nas obras canônicas de literatura e poesia, sobretudo quando se tratar da forma escrita. Existindo uma tradição e um consenso entre os estudiosos da língua, as mudanças deveriam ser feitas com parcimônia e chanceladas pelas instituições que reúnem legitimidade para tanto.
Acredito que as duas correntes sejam limitadas e não contemplem a minha posição, apesar de não discordar completamente de algumas de suas proposições. A corrente “democrática” peca por fazer da necessidade virtude: em vez de reconhecer que o abismo social deva ser sanado, sanando-se, por conseguinte, também o abismo gramatical entre os que conhecem e os que não conhecem a norma culta, preferem estabelecer como regra a penúria. Uma coisa é um Guimarães Rosa propor formas novas a partir da escuta e da vivência dele em meio à população rural; neste caso, se trata de mudanças de vanguarda, dentro de um contexto e de um sentido bem definido por meio de um conteúdo que integra o material da obra de arte. Outra é dizermos que “seje” está correto porque muitos assim o escrevem; ou seja, o desconhecimento da maioria é dotado de um valor positivo com o fim de nós, os conhecedores, não discriminarmos os desconhecedores. Mas o mundo real continuaria dividido entre conhecedores e desconhecedores, e o arbítrio do desconhecimento seria assim chancelado; algo no mínimo estranho para ser defendido por professores…
Já o aristocratismo muitas vezes descamba, no emprego daqueles que conhecem a norma culta, para um esnobismo social. Ou seja, ao ridicularizarem os menos afortunados da vida que cometem os famosos equívocos gramaticais, a língua é utilizada para reforçar as distinções entre conhecedores e desconhecedores. Geralmente, o aristocratismo se aferra às normas não por amor à língua, mas pelo amor que as pessoas têm pela sua posição social; sabendo mais do que os “ignorantes”, se veem como naturalmente “melhores”, e aqui se encontra a outra forma de arbítrio sendo instituída: o da forma pela forma, que ao desconhecer de modo consciente os arbítrios dos usos da língua e suas raízes sociais, faz dela um objeto de distinção e de deleite ossificado.
Minha posição, no meio dessa guerra, é a de que, por um lado, todas as pessoas deveriam conhecer a norma culta, pois se trata de um patrimônio universal cujo acesso foi negado à maioria por conta da divisão de classes da sociedade capitalista. Aí me aproximo dos “aristocratas”. Por outro lado, me aproximo dos “democratas”: conhecendo a norma culta, aí sim as pessoas poderiam propor novos usos, novas formas e tensionar todo o existente. E aqui me distancio dos dois lados: sem esse conhecimento universal, continuamos com uma minoria de eruditos se apropriando dos usos populares para fazer algo de relevante. Pior ainda; os pretensos porta-vozes da maioria são, em regra, os que conhecem perfeitamente as normas cultas. Chancelando os equívocos, guardam para si a norma, em vez de tentarem universalizá-la. Já dentre os “aristocratas”, cabe denunciar o sentido ridículo do emprego da língua como forma de distinção social. Ao final, o que se vê dos dois lados são disputas de intelectuais que não tocam no ponto central: na péssima distribuição de conhecimento entre a população. Uns querem se erigir como porta-vozes e chanceladores da miséria (“democratas”), ao passo que os outros querem apenas chancelar a naturalização da miséria por conta de seus saberes (“aristocratas”). Ambos os lados se dão as mãos. O mundo é bem mais complexo do que qualquer fla-flu.

 

Sentinelas da Tradição: à venda

FERNANDES_ST_CAPA_FINAL-1Dmitri Cerboncini Fernandes analisa as construções e disputas simbólicas que forjaram o que conhecemos como samba, choro e pagode. Apoiando-se em uma perspectiva interdisciplinar, dirige seu olhar para esses gêneros musicais em particular, e para a música em geral, movendo conhecimentos e metodologias aplicados não só em sua área de formação, a sociologia, mas também na história e na etnomusicologia. A proposta do autor é que o debate sobre a música não seja desvinculado dos estudos sobre política, transformações e evoluções socioeconônimas do Brasil; assim, discute as representações conflitantes desse universo por meio do estudo das trajetórias e das obras de figuras célebres ou ignoradas e subestimadas, como cronistas, jornalistas, produtores, empresários, intérpretes, músicos e intelectuais.

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